sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Rainha Vermelha?

No protetorado encontramos um feitiche, um chifre que tem o poder de curar e restaurar espíritos e garous, era a chave para restaurar o símbolo mais forte dos Fianna, o totem de Cervo. Assim que toquei a trombeta o cervo renasceu, o prateado do poder e beleza brilhou tão forte como nunca tinha visto em nenhum outro espírito, me lembrou Gaia em nossa conversa, e consequentemente a batalha que viria pela frente, as palavras dela em sua doçura pareciam tentar esconder o perigo mortal de minha combatente, eu tinha que me apressar.
Eu e meus três companheiros de matilha fizemos diversas viagens indo e vindo de caerns destruídos, florestas densas e até mesmo cidades em busca de meus parentes. Encontramos alguns poucos garous, tão fracos que mal podiam se defender e pareciam cães assustados, parentes vivendo entre humanos como mendigos… Eu nunca vou perdoá-los por isso, meu ódio e amor crescem de forma exponencial lado a lado em meu peito e sinto como pudesse se romper a qualquer instante, mas não posso deixar que isso aconteça.
_ Baronesa, por que estamos passando por aqui? Se me permite dizer é uma floresta muito densa, e os humanos das redondezas chamam essa floresta de amaldiçoada…
_ Você está certo Ariosto, é bastante densa, dificulta a passagem de qualquer tipo de criatura e amedronta até o mais corajoso dos humanos comuns. Essa é a floresta de Ballyboley, foi aqui que nasci, e se aguardar alguns instantes poderá ver o caern onde meu… destino foi traçado.
Pisamos na relva clara banhada pelo crepúsculo, eu mal podia esperar para beber da adega pessoal de meu pai, que fora esquecida depois que abandonamos o Celebração de Laora. Algumas coisas ainda perfuram meu coração como agulhas de prata, como o bispo negro, ainda não consegui assimilar essa informação e não quero matar os abraços afetuosos de minha lembrança como se fossem ervas daninhas, não quero estragar a imagem da vida perfeita que tive até as coisas começarem a acontecer, quando aquela mulher… E foi no meio desse pensamento que eu vi um movimento vindo do meu lado esquerdo, quase imperceptível em meio ao dourado do céu, saquei Lâmina Celeste quase que instintivamente, os empurrei e bloqueei o ataque que transpassaria Ariosto e provavelmente iria ferir os demais. A minha promessa está de pé, que eu morra antes que um de meus membros de matilha pereçam pelas mãos do inimigo.
Ao encarar meu oponente meus olhos se encheram de mais ódio, amargura, incredulidade e até um pouco de medo.
_Você! Se afaste com eles Sigvard!
A rainha parecia tão surpresa quanto eu por ter bloqueado seu ataque que nem mesmo O’Dragon foi capaz de reagir. E foi nesse momento que pela primeira vez vi medo em seus olhos e eu tive certeza que Gaia me guiaria para vencer essa batalha, meu medo se extinguiu, eu sorri.
_ Já ouviu falar da batalha de Maratona?
_ Não tenho tempo para as histórias de uma Galliard. -se desvencilhou de meu bloqueio e tentou outro ataque que após ser novamente bloqueado a fez exibir mais espanto nos olhos. 
_ Os Persas tinham um plano de invadir a cidade de Atenas num ataque surpresa pelo sul. -ela tentou outro ataque e dessa vez eu desviei e me afastei da lâmina antes que me tocasse- Entretanto os atenienses foram avisados do ataque e isso os fez não só reagir aos Persas, mas atacá-los e vencê-los. Não compreende? Seu ataque veio pelo sul também e eu já sabia que chegaria pois Gaia me avisou, não sente como se fosse... um Dèjavu?
Foi a primeira vez que usei esse dom, senti a força dos 10 mil homens de milhares de anos atrás correr por minhas veias, os deuses dos antigos Gregos me abençoando, fui para a forma crinos e desferi meu primeiro ataque, a confiança era o que mais dava força àquela mulher e eu a tirei com simples palavras de um dom, mesmo assim ela ainda era forte, e não era na forma mais fraca de minha espada que eu a venceria, então eu trouxe a Matadora de Wyrm Trovão. Agora estávamos as duas em crinos, a regra do embate era clara, que a mais forte sobreviva.
Trocamos diversos ataques e nenhuma fora atingida ainda, as defesas eram fortes.
_ Neve ficaria orgulhosa da filhinha dela, pena que morreu na mão de seu pai não é mesmo Maeve? Ou devo dizer… o Bispo Negro, Salazar?
E por um instante transpassaram as lembranças de Salazar comigo naquela mesma clareira, eu quase poderia tocá-lo com meus dedos se desse um passo, e foi nesse instante, nesse centésimo de segundo de fraqueza que ela me deu um corte transversal sobre o peito que rasgou minhas vestes e só não transpassou a carne porque consegui pular para trás. Num ataque de fúria a atingi no rosto com um corte profundo na bochecha, a partir daí vários pequenos ferimentos surgiram nas duas. Estava uma luta justa e acirrada, mas eu me esqueci de que minha oponente não era uma garou com honra, seus lábios se abriram num sorriso duvidoso depois de um ataque que me vi obrigada a desviar para longe de seu alcance, e do meu. Assim que olhei ela estava correndo não na minha direção, mas de Sigvard, Ariosto e Yumeji, e assim como um ano atrás protegendo Ulrik, lancei lâmina celeste na rainha que apesar de tentar desviar sentiu minha espada cravada em suas costas, o sangue saltou de sua boca e ela caiu de joelhos, abriu um portal da lua para tentar fugir e eu parei na sua frente, peguei a espada dos Haylander e cortei sua cabeça, seu sangue correu até os pés de Sigvard. Eu entrei na antiga adega, peguei uma garrafa empoeirada de vinho de amoras selvagens e bebi.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Distribuindo peças

Depois daquele dia, muita coisa mudou, assumi meu posto de baronesa do protetorado dos cavaleiros de Fion e instituí cargos.
_ Como todos sabem estamos sem Beta e Ômega, como terei que me ausentar várias vezes do protetorado preciso redistribuir esses cargos. Os nossos inimigos da realeza se auto intitulam peças de xadrez e não por acaso, cada um deles tem habilidades que se encaixam perfeitamente na descrição, como por exemplo o bispo negro que assim como o do tabuleiro cruza o campo de batalha e se infiltra no inimigo, atacando quando menos se espera. É preciso que conheçamos o que estamos enfrentando e é preciso que quem esteja ao meu lado como Beta tenha completa noção do que acabei de dizer e possa me auxiliar com a prudência, a diligência, a lucidez e a sabedoria que os criadores indianos do xadrez almejavam estimular. Amanhã pela manhã teremos uma competição que que o vitorioso será o Beta e quem se sair pior ocupará o cargo de Ômega.

No dia seguinte estavam todos presentes para a competição, como imaginei Ulrik foi o primeiro a sofrer com a derrota, já tínhamos o Ômega. Depois de algumas partidas os finalistas Sejuro e Síoran estavam frente a frente, por uma jogada de maestria e sorte Sejuro saiu vitorioso e assim encontramos um Beta.
_ Pois bem, agora que já estão devidamente alocados em suas posições, aqui está o que vamos fazer: Eu, Sigvard, Yumeji e Ariosto vamos resgatar e reunir os últimos Fiannas que sobraram e os traremos para cá, os demais devem proteger o protetorado que em minha ausência ficará nas mãos de Sejuro que decidirá quem entra ou sai e ficará encarregado de me por a par do que aconteceu enquanto estive fora, Ulrik, você só sai daqui sob minha autorização direta e pessoal, será o guardião dos portões. Agora Sejuro, Sigvard, Yumeji e Ariosto, temos um planejamento para ser feito. Os demais estão dispensados.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Promessa para Xiao Jin



Seus olhos se abriram assim que eu o coloquei no leito.
_ Oi garoto.
Ele demorou alguns segundos para recobrar a memória e entender o que tinha acontecido.
_ Guerreira do cabelo vermelho-san, perdoe-me.
_ Sou eu quem lhe deve desculpas, você é o guerreiro mais digno que já vi. 

Ele para, pondera minha fala, e aqueles olhos que poderiam ser de um filho meu encontram mais uma vez a dor, ele finalmente diz:
_ Eu perdi. Não poderei me juntar a sua matilha. 

Penso mais uma vez no que decidi fazer. Eu o quero do meu lado, mas quero seguro, e o tipo de guerreiro que ele é só dificulta minha decisão.
_ Eu tenho uma proposta Jin, você provou sua bravura, mas ainda é fraco para os perigos que minha matilha está destinada. - Eu observo sua expressão, está atento como um animalzinho, com olhos mais profundos que os lagos de Arcadia, eu fraquejo e me culpo, escolhas são escolhas e essas tiveram os efeitos que imaginei, mas eu deixei ir longe demais - Um ano, eu preciso que aprimore sua defesa e força, já que não pode usar armas, preciso que saiba se defender, já que eu sei que não vai fugir - ele continua atento, mas dessa vez é como se o sol amanhecesse sobre as águas de seu olhar -vou lhe contar uma história.
“Certo dia em uma praia, uma gota de chuva caiu de uma nuvem de primavera e, vendo a grande extensão do mar, se viu pequena perante a voracidade que a devoraria. Ela pensou : Não tenho forças contra o mar.
E enquanto a pequena gota se julgava assim, uma ostra a tomou em seu regaço e o Destino lhe deu forma em sua trajetória, de maneira que a gota de chuva se converteu, finalmente, em uma famosa pérola real.
Foi exaltada porque foi capaz de reconhecer sua fraqueza e assim encontrou sua força. Chamada à porta da extinção, tornou-se existente.”
_Daqui um inverno virei até aqui e se ainda desejar poderá entrar na matilha.
_ Me sinto honrado. Eu aceito. Vou encontrar minhas forças e mostrarei a todos do que sou capaz Guerreira da cabeça vermelha-san.
_ Pode me chamar de Maeve -digo com um sorriso- dê o seu melhor Jin, e se lembre que é reconhecendo nossas fraquezas que nos tornamos fortes. -Eu abro minha bolsa e pego com delicadeza uma pérola em um cordão- Essa pérola eu recebi de um espírito de pégaso uma vez e a abençoei como item de proteção, use-a com esse cordão, é um presente para que não se esqueça de hoje. Me lembrarei de suas palavras.

Eu entrego para Jin e saio antes que ele possa me dizer algo, tenho a impressão de sentir um aceno de cabeça. Por hoje é o suficiente.


Maneiras de amar (Osho)

O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água… e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.
A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão, e o rio segue em frente.
O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente. E a árvore empresta o seu perfume ao vento…

Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar.


História dos dois videntes

Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes, e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava de vida.
– Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos.
Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferira palavras tão aterradoras. Então, a guerra civil era realmente uma ameaça!
Desesperado, chamou um segundo vidente.
– Quanto tempo viverei? – perguntou, procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva.
– Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa, que ultrapassará a geração dos seus filhos, e chegará a geração dos seus netos.
Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata.
Ao sair do palácio, um conselheiro comentou com o vidente:
– Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado, e você recebeu recompensas. Por que?
– Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel.


domingo, 14 de janeiro de 2018

História Inicial

Maeve Walker é descendente direta de Johnnie Walker, suposto criador da fórmula com a bebida de mesmo nome, mas que em sua realidade foi adquirida quando certo dia andando pela floresta o garou encontrou-a no chão, um viajante que ali passara havia deixado cair. Apenas anos depois do lançamento da bebida é que o verdadeiro dono apareceu e reivindicou sua parte, Walker mandou o poderoso vampiro Abigail para onde as costas mudam de nome e ali conseguiu um inimigo disposto a matar ele e seus descendentes até que a última gota de sangue se perdesse no tempo.
O pai da garota de 19 anos se prendeu nos encantos de uma fada que com seus dons de sedução e fala doce conseguiu usufruir por um bom tempo dele, assim Maeve veio ao mundo, infelizmente tirando a vida de sua mãe, que antes de morrer colocou Maeve aos cuidados de um espírito amigo que conhecera a algum tempo rondando os lagos de Arcadia.

Maeve cresceu rodeada por beberrões de todos os tipos e augúrios, seu pai além de ser uma das maiores autoridades de seu Caern Fianna, era o distribuidor de bebidas oficial, seu pub estava sempre cheio das melhores bebidas em garrafas empoeiradas sob um chão de carvalho, cada garrafa era uma história contada e isso favoreceu as características da Galliard.
Além de cuidar de assuntos administrativos do Caern a dançarina da lua, em seu tempo vago ajudava seu pai no Celebração de Laora , distribuía bebidas, cantava trovas, encantava com performances dignas de prêmio os garous e por diversas vezes teve saber como convencê-los de não ter liberdade além da conta com ela, que por sua beleza, os fazia ter ideias de quebrar a litania.
O nome de Maeve foi escolhido por sua mãe que quis homenagear Gaia e um um de seus nomes, os humanos comuns acreditam que foi uma rainha, porém Kalessia sabia de onde vieram as lendas. O pai de Maeve entretanto, nunca superou ter aceitado realizar o último pedido de Kalessia, pois sempre quis ter uma filha com o nome de Laora, mulher que inspirou lendas dos Fianna.


Aparência: 1,68, 53 Kg, Cabelos ruivos ondulados/cacheados, pele clara.