No protetorado encontramos um feitiche, um chifre que tem o poder de curar e restaurar espíritos e garous, era a chave para restaurar o símbolo mais forte dos Fianna, o totem de Cervo. Assim que toquei a trombeta o cervo renasceu, o prateado do poder e beleza brilhou tão forte como nunca tinha visto em nenhum outro espírito, me lembrou Gaia em nossa conversa, e consequentemente a batalha que viria pela frente, as palavras dela em sua doçura pareciam tentar esconder o perigo mortal de minha combatente, eu tinha que me apressar.
Eu e meus três companheiros de matilha fizemos diversas viagens indo e vindo de caerns destruídos, florestas densas e até mesmo cidades em busca de meus parentes. Encontramos alguns poucos garous, tão fracos que mal podiam se defender e pareciam cães assustados, parentes vivendo entre humanos como mendigos… Eu nunca vou perdoá-los por isso, meu ódio e amor crescem de forma exponencial lado a lado em meu peito e sinto como pudesse se romper a qualquer instante, mas não posso deixar que isso aconteça.
_ Baronesa, por que estamos passando por aqui? Se me permite dizer é uma floresta muito densa, e os humanos das redondezas chamam essa floresta de amaldiçoada…
_ Você está certo Ariosto, é bastante densa, dificulta a passagem de qualquer tipo de criatura e amedronta até o mais corajoso dos humanos comuns. Essa é a floresta de Ballyboley, foi aqui que nasci, e se aguardar alguns instantes poderá ver o caern onde meu… destino foi traçado.
Pisamos na relva clara banhada pelo crepúsculo, eu mal podia esperar para beber da adega pessoal de meu pai, que fora esquecida depois que abandonamos o Celebração de Laora. Algumas coisas ainda perfuram meu coração como agulhas de prata, como o bispo negro, ainda não consegui assimilar essa informação e não quero matar os abraços afetuosos de minha lembrança como se fossem ervas daninhas, não quero estragar a imagem da vida perfeita que tive até as coisas começarem a acontecer, quando aquela mulher… E foi no meio desse pensamento que eu vi um movimento vindo do meu lado esquerdo, quase imperceptível em meio ao dourado do céu, saquei Lâmina Celeste quase que instintivamente, os empurrei e bloqueei o ataque que transpassaria Ariosto e provavelmente iria ferir os demais. A minha promessa está de pé, que eu morra antes que um de meus membros de matilha pereçam pelas mãos do inimigo.
Ao encarar meu oponente meus olhos se encheram de mais ódio, amargura, incredulidade e até um pouco de medo.
_Você! Se afaste com eles Sigvard!
A rainha parecia tão surpresa quanto eu por ter bloqueado seu ataque que nem mesmo O’Dragon foi capaz de reagir. E foi nesse momento que pela primeira vez vi medo em seus olhos e eu tive certeza que Gaia me guiaria para vencer essa batalha, meu medo se extinguiu, eu sorri.
_ Já ouviu falar da batalha de Maratona?
_ Não tenho tempo para as histórias de uma Galliard. -se desvencilhou de meu bloqueio e tentou outro ataque que após ser novamente bloqueado a fez exibir mais espanto nos olhos.
_ Os Persas tinham um plano de invadir a cidade de Atenas num ataque surpresa pelo sul. -ela tentou outro ataque e dessa vez eu desviei e me afastei da lâmina antes que me tocasse- Entretanto os atenienses foram avisados do ataque e isso os fez não só reagir aos Persas, mas atacá-los e vencê-los. Não compreende? Seu ataque veio pelo sul também e eu já sabia que chegaria pois Gaia me avisou, não sente como se fosse... um Dèjavu?
Foi a primeira vez que usei esse dom, senti a força dos 10 mil homens de milhares de anos atrás correr por minhas veias, os deuses dos antigos Gregos me abençoando, fui para a forma crinos e desferi meu primeiro ataque, a confiança era o que mais dava força àquela mulher e eu a tirei com simples palavras de um dom, mesmo assim ela ainda era forte, e não era na forma mais fraca de minha espada que eu a venceria, então eu trouxe a Matadora de Wyrm Trovão. Agora estávamos as duas em crinos, a regra do embate era clara, que a mais forte sobreviva.
Trocamos diversos ataques e nenhuma fora atingida ainda, as defesas eram fortes.
_ Neve ficaria orgulhosa da filhinha dela, pena que morreu na mão de seu pai não é mesmo Maeve? Ou devo dizer… o Bispo Negro, Salazar?
E por um instante transpassaram as lembranças de Salazar comigo naquela mesma clareira, eu quase poderia tocá-lo com meus dedos se desse um passo, e foi nesse instante, nesse centésimo de segundo de fraqueza que ela me deu um corte transversal sobre o peito que rasgou minhas vestes e só não transpassou a carne porque consegui pular para trás. Num ataque de fúria a atingi no rosto com um corte profundo na bochecha, a partir daí vários pequenos ferimentos surgiram nas duas. Estava uma luta justa e acirrada, mas eu me esqueci de que minha oponente não era uma garou com honra, seus lábios se abriram num sorriso duvidoso depois de um ataque que me vi obrigada a desviar para longe de seu alcance, e do meu. Assim que olhei ela estava correndo não na minha direção, mas de Sigvard, Ariosto e Yumeji, e assim como um ano atrás protegendo Ulrik, lancei lâmina celeste na rainha que apesar de tentar desviar sentiu minha espada cravada em suas costas, o sangue saltou de sua boca e ela caiu de joelhos, abriu um portal da lua para tentar fugir e eu parei na sua frente, peguei a espada dos Haylander e cortei sua cabeça, seu sangue correu até os pés de Sigvard. Eu entrei na antiga adega, peguei uma garrafa empoeirada de vinho de amoras selvagens e bebi.

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